O levantamento ouviu 2.006 pessoas em 2025 e mostrou que 74% dos entrevistados concordam com a possibilidade de deixar de consumir carne por motivos de saúde. As preocupações ambientais também aparecem entre as razões consideradas pelos consumidores, mencionadas por 43% dos participantes, enquanto 42% levam em conta o bem-estar animal.
As mudanças nos hábitos de consumo têm levado empresas a diversificar produtos e serviços para atender tanto pessoas que seguem uma alimentação vegana quanto consumidores interessados em experimentar alternativas aos produtos de origem animal.
A gestora nacional de Alimentos e Bebidas do Sebrae, Ana Canêdo, afirma que restaurantes e outros estabelecimentos precisam acompanhar essas transformações. “Nos últimos anos, temos observado um grande crescimento entre os consumidores que optam por uma alimentação vegetariana ou vegana”, declarou.
Segundo ela, a inclusão de opções vegetarianas e veganas nos cardápios também passou a fazer parte da estratégia de restaurantes tradicionais. “É preciso entender o perfil desses novos consumidores e estar preparado para atender essa demanda”, afirmou.
Um exemplo está em Brasília, onde o restaurante Faz Bem – Comida Vegana atua desde 2014. O negócio começou como hortifrúti, passou a funcionar como hamburgueria e posteriormente adotou o formato de restaurante. Atualmente, também comercializa produtos veganos e refeições congeladas, com entregas programadas no Distrito Federal.
Larissa Neves, uma das sócias do empreendimento, explica que boa parte dos clientes não é necessariamente vegana. “Existe um público muito mais amplo, de pessoas que querem experimentar coisas novas, comer melhor e incluir outras possibilidades na rotina”, relatou.
Apesar da ampliação do público consumidor, a empresária afirma que a manutenção financeira do estabelecimento continua sendo um desafio. O negócio recebeu capacitações do Sebrae em gestão financeira, organização empresarial e controle de custos durante e após a pandemia.
O mercado vegano também alcança o setor de vestuário. Em São Paulo, a marca Maduu, criada pela empreendedora Natália Pires, produz bolsas e acessórios sem utilização de couro animal. A empresa completa 14 anos em 2026 e utiliza materiais sintéticos fornecidos por fabricantes nacionais.
Em 2024, a marca realizou uma rodada de investimento coletivo com participação de 44 investidores. Neste ano, inaugurou sua primeira loja física no bairro de Pinheiros, na capital paulista, depois de anos de atuação no comércio eletrônico.
Para Natália, o design e a funcionalidade dos produtos são fatores que permitem atingir consumidores além do público vegano. A empresária também busca ampliar as vendas pela internet, desenvolver o mercado atacadista e estudar possibilidades de comercialização internacional.
Diante desse cenário, o Sebrae orienta empreendedores interessados no segmento a realizar pesquisas de mercado, avaliar os custos de produção, estabelecer preços compatíveis com a demanda e investir na apresentação dos produtos.
A instituição também oferece cursos e consultorias sobre gestão, formação de preços e atendimento ao consumidor. Uma das iniciativas é o programa Prepara Gastronomia, direcionado a empresas do setor de alimentação fora do lar.
As orientações e capacitações podem ser consultadas pelo Portal Sebrae ou pelo telefone 0800 570 0800.







