Suspeita de monilíase em Marechal Thaumaturgo acende alerta para transporte de frutos e mudas no Juruá

A suspeita de monilíase identificada em uma propriedade na comunidade Foz do Arara, em Marechal Thaumaturgo, levou o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) a reforçar, nesta semana, o controle sobre o trânsito de frutos, sementes e mudas na região do Juruá, com foco em reduzir o risco de disseminação da praga para áreas ainda sem ocorrência.

A investigação começou após o secretário municipal de Agricultura, Joab Ferreira de Souza, relatar sinais compatíveis com a doença e acionar a equipe local do Idaf. Durante a vistoria, um técnico encontrou um fruto de cupuaçu com alteração na coloração e sintomas considerados típicos, registrou a suspeita e coletou amostras para análise laboratorial. “O produtor rural reconheceu os sinais e fez a comunicação. Durante a vistoria na propriedade, observei um fruto com alteração na coloração e presença de sintomas típicos da monilíase. Diante da suspeita, realizamos o registro e coletamos amostras para análise laboratorial”, disse o técnico Luan José da Silva, da unidade do Idaf em Marechal Thaumaturgo.

A monilíase é uma praga quarentenária que atinge principalmente cacau e cupuaçu e pode provocar perdas relevantes na produção. A disseminação ocorre por fatores naturais, como vento e chuva, além de insetos e animais silvestres, mas o transporte de materiais contaminados é apontado como um dos principais caminhos para levar a doença a novas áreas. Entre os itens de maior risco estão frutos, sementes e mudas, além de roupas e utensílios que tenham contato com plantas infectadas.

No Acre, o primeiro registro foi feito em julho de 2021, em área urbana de Cruzeiro do Sul. Desde então, o estado intensificou o monitoramento, com ações de orientação e erradicação em áreas com focos e a manutenção de uma barreira fitossanitária permanente na BR-364, no Posto de Fiscalização Agropecuária do Rio Liberdade, onde há fiscalização diária de veículos para impedir que materiais vegetais com risco de contaminação deixem a região.

A chefe do Departamento Tático de Ações Vegetal e Florestal do Idaf, Waldirene Gomes, afirmou que o caso segue como suspeita até a conclusão das análises e que o plano de resposta prevê medidas emergenciais se houver confirmação. “O monitoramento contínuo aliado à resposta rápida tem sido fundamental para conter o avanço da monilíase. Reforçamos que, neste momento, trata-se de um caso suspeito. Havendo confirmação, todas as medidas fitossanitárias emergenciais serão prontamente adotadas para conter a praga no município de Marechal Thaumaturgo”, disse. O Ministério da Agricultura e Pecuária foi comunicado por meio da Superintendência Federal de Agricultura no Acre.

Com o material já coletado, o resultado laboratorial deve definir os próximos passos no município e orientar eventuais restrições e ações de campo. A suspeita também recoloca no centro da estratégia a necessidade de vigilância sobre o transporte de produtos e insumos agrícolas, ponto considerado decisivo para evitar que a praga avance para outras áreas produtoras de cupuaçu e cacau no estado.

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