Chaveiro de Rio Branco consegue remédio na Justiça e entra em remissão do lúpus

O chaveiro Saulo Negreiros, de 67 anos, conseguiu na Justiça o fornecimento de um medicamento para tratar lúpus e teve melhora no quadro da doença após anos de complicações de saúde. Morador de Rio Branco, ele recebe o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A história foi divulgada nesta segunda-feira, 7 de setembro, pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC).

Os primeiros sintomas apareceram em 2018, com manchas na pele e outros problemas que levaram Saulo a procurar atendimento médico. Depois de diferentes diagnósticos e tratamentos sem melhora, uma biópsia renal confirmou, em 2022, que ele tinha lúpus em estágio avançado. Na época, os rins estavam comprometidos e havia risco de necessidade de hemodiálise.

A reumatologista Adriana Marinho prescreveu rituximabe, medicamento que não fazia parte das diretrizes terapêuticas para lúpus. A família chegou a pagar pelo tratamento, mas o custo tornou a continuidade inviável. Cada ampola custava cerca de R$ 9 mil, e um ciclo exigia quatro doses, com repetição prevista a cada seis meses.

Após a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) negar o fornecimento, a família procurou a Defensoria Pública. O Tribunal Pleno Jurisdicional do TJAC concedeu a ordem por unanimidade. O processo é o Mandado de Segurança Cível nº 1000911-54.2024.8.01.0000. Desde então, Saulo passou a receber o medicamento pelo SUS.

O paciente relata que a melhora começou após a primeira dose e que, cerca de dois meses depois, o inchaço, as manchas e o cansaço haviam diminuído. Depois de três anos de tratamento, a médica informou que a doença estava entrando em remissão. “O remédio me deu uma nova vida”, afirmou Saulo.

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica que pode atingir pele, articulações, rins, coração e outros órgãos. O sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. A doença não tem cura, mas o tratamento pode controlar a inflamação, reduzir os sintomas e permitir períodos de remissão. Nos casos graves, o acompanhamento especializado é necessário para prevenir danos aos órgãos e avaliar os efeitos dos medicamentos.

Saulo continua o tratamento e o acompanhamento médico. A remissão não significa cura, mas representa o controle da atividade da doença. Para a família, o acesso ao medicamento permitiu que ele recuperasse parte da rotina e voltasse a realizar atividades que haviam sido comprometidas pelo lúpus.

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