Acre registra 357 denúncias de violência contra a mulher em 2026

O Acre registrou 357 denúncias de violência contra a mulher entre janeiro e junho de 2026, média de quase dois casos comunicados por dia. A maior parte das ocorrências aconteceu dentro de casa, ambiente onde vítimas convivem ou mantêm contato frequente com os agressores.

Janeiro concentrou 162 denúncias, o maior número do semestre. Em fevereiro foram 74 registros, seguidos por 26 em março, 32 em abril, 26 em maio e 37 em junho. Os números foram atualizados até 30 de junho.

Das 357 denúncias, 241 foram apresentadas pelas próprias vítimas, o equivalente a 67,5% do total. Outras 116 partiram de familiares, vizinhos, amigos ou outras pessoas que tiveram conhecimento da violência. A participação de terceiros correspondeu a 32,5% dos registros e reforça a importância da denúncia feita por quem presencia ou toma conhecimento das agressões.

A casa da vítima foi apontada como local de 191 ocorrências, 53,5% do total. Em outros 121 casos, a violência ocorreu na residência compartilhada pela mulher e pelo suspeito. Somadas, as duas situações representam a maior parte dos episódios comunicados durante o semestre.

No mesmo período de 2025, a base contabilizou 1.015 denúncias no Acre. A diferença representa uma redução de 64,8% nos registros. O recuo, porém, não permite concluir que a violência caiu na mesma proporção. O volume depende do acesso aos canais de atendimento, do conhecimento sobre os serviços, da disposição da vítima ou de terceiros para denunciar e da atualização dos registros.

A violência doméstica costuma permanecer escondida por medo, dependência financeira, ameaças, isolamento e vínculo afetivo com o agressor. Uma pesquisa realizada com mulheres acreanas mostrou que 32% já sofreram violência doméstica ou familiar praticada por um homem. Entre elas, uma em cada quatro relatou agressão nos 12 meses anteriores ao levantamento.

A mesma pesquisa apontou que 74% das mulheres do estado conheciam alguma amiga, parente ou conhecida que havia sofrido violência doméstica. A violência psicológica apareceu em 86% dos relatos das vítimas, seguida pela física, com 71%, e pela moral, com 70%.

O cenário ganha maior peso diante dos registros de feminicídio. O Acre teve 14 vítimas em 2025, contra oito no ano anterior, aumento de 75%. A taxa chegou a 3,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, a maior entre os estados brasileiros naquele ano.

Entre janeiro de 2018 e maio de 2026, o estado acumulou 91 feminicídios consumados e 158 tentativas. Os casos acompanhados pelas instituições acreanas mostram que a violência letal geralmente é precedida por ameaças, perseguições, agressões físicas, controle da rotina, ciúme e inconformismo com o fim do relacionamento.

Mulheres em situação de violência podem procurar delegacias especializadas, unidades da Polícia Civil, centros de referência e serviços de assistência social. Medidas protetivas podem determinar o afastamento do agressor, proibir aproximação e contato, restringir o porte de armas e garantir outras formas de proteção.

O Ligue 180 funciona gratuitamente durante 24 horas, inclusive aos fins de semana e feriados. O serviço recebe denúncias das vítimas e de terceiros, presta orientações e encaminha os relatos aos órgãos responsáveis. Em situações de emergência ou quando a agressão estiver acontecendo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

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