Alysson Bestene leva prefeitura à Comunidade Mariele Franco e se coloca como mediador da crise em Rio Branco

A ida de Alysson Bestene à Comunidade Mariele Franco reposicionou a Prefeitura de Rio Branco no centro de uma disputa social que pressiona o poder público por resposta. Cercado por secretários e integrantes da gestão, o prefeito visitou a área de ocupação, ouviu os moradores e assumiu o compromisso de articular uma solução para as famílias, num movimento que ampliou o peso político da crise e reforçou a tentativa da administração municipal de conduzir a interlocução sobre o futuro da comunidade.

A presença do prefeito no local foi tratada pela gestão como um gesto de proximidade com quem vive a incerteza da ocupação. Diante dos moradores, Bestene afirmou que a prefeitura vai buscar uma mediação com as instituições envolvidas e sustentou que a prioridade da visita era dar resposta a famílias já instaladas na área. “O olhar da gestão, essa sensibilidade do poder público vir até aqui, é para tentar resolver e intermediar a situação desses moradores”, declarou.

Ao transformar a visita em agenda oficial, Bestene também procurou mostrar que a prefeitura não ficará ausente de um conflito com impacto direto na vida de centenas de pessoas. O discurso foi construído em torno de dois eixos: apoio imediato aos moradores e delimitação do papel do município na disputa. “Viemos com a equipe para orientar e dar o apoio necessário às famílias que já estão consolidadas nessa área de ocupação”, disse o prefeito, ao citar o acompanhamento da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos e medidas voltadas ao atendimento emergencial da comunidade.

No mesmo movimento em que sinalizou presença, o prefeito tratou de demarcar responsabilidades. Segundo ele, o município não responde pelo cadastramento das famílias junto à Caixa Econômica Federal e teve participação apenas na viabilidade inicial da documentação, enquanto a condução desse processo teria ficado sob responsabilidade do movimento que organizou a ocupação. A fala buscou afastar da prefeitura o comando direto sobre a origem do impasse, sem romper a imagem de mediação que a gestão tenta construir.

A visita também abriu espaço para uma costura política mais ampla. O vereador Hildegard Pascoal defendeu a união entre prefeitura, Câmara Municipal, Governo do Estado e Ministério Público para enfrentar as demandas da comunidade, numa sinalização de que a saída para o caso dificilmente será restrita a uma única esfera de poder. O recado transmitido no local foi de que a pressão dos moradores já alcançou diferentes instâncias e exige articulação institucional.

Entre as famílias, a presença do prefeito foi recebida como reconhecimento de uma pauta que vinha cobrando visibilidade. O presidente da comunidade, Júnior Angelim, afirmou que a chegada de Bestene e do secretariado representou avanço nas tratativas e reforçou a expectativa por obras e serviços públicos na região. Ele citou, entre as demandas, a implantação de uma creche projetada para atender quase 300 crianças da parte alta da cidade. “A comunidade pediu, o prefeito veio, trouxe secretários e se comprometeu com alguns paliativos”, afirmou.

Participaram da agenda os secretários Tony Roque, Cid Ferreira, Márcio Pereira e Ivan Ferreira, além do diretor-presidente da Emurb, Abdel Derze, e do representante do Saerb, Antonio Lima. Com a presença do alto escalão municipal, Alysson Bestene transformou a visita à Comunidade Mariele Franco em mais que uma ação administrativa: fez dela um gesto político de aproximação com os moradores e de afirmação da prefeitura como peça central na busca por uma saída para a crise.

 

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