Sessão solene na Aleac homenageia fazedores de cultura e cobra ampliação de políticas públicas no Acre

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou na manhã de segunda-feira, 11 de maio de 2026, uma sessão solene no plenário da Casa para homenagear fazedores de cultura do Estado e reforçar a cobrança por mais acesso a políticas públicas de fomento ao setor. A cerimônia foi proposta pelo deputado Afonso Fernandes e reuniu representantes do segmento cultural, entre artistas, escritores, poetas, grupos de teatro, quadrilhas juninas e agentes ligados à preservação e difusão de manifestações artísticas e populares.

Na abertura, Afonso Fernandes afirmou que a ampliação do acesso aos mecanismos de incentivo precisa chegar a quem produz na rotina das comunidades. Ele citou instrumentos como a Lei Rouanet, a Lei Paulo Gustavo e iniciativas estaduais e municipais, mas disse que “muitos fazedores de cultura ainda enfrentam dificuldades para ter acesso efetivo aos recursos” e defendeu que o poder público tenha um olhar “criterioso e sensível” para manter viva a cultura acreana. O parlamentar também ampliou o conceito de cultura para além de apresentações, relacionando o tema ao fortalecimento comunitário, à memória coletiva, ao bem-estar e à saúde mental.

Representando os fazedores de cultura, Jonas Lima classificou o reconhecimento como um marco e descreveu os obstáculos para manter projetos culturais em funcionamento no Estado. “É um momento histórico para os fazedores de cultura estar nesse local. É muito difícil fazer cultura aqui no Acre”, disse, ao relatar uma trajetória de décadas no setor. Ele também afirmou que a cultura tem papel de proteção social: “A cultura afasta os jovens das coisas erradas. Eu sou uma prova viva de que a cultura tira a pessoa do mundo do crime e do mundo das drogas”.

O presidente do Conselho Estadual de Cultura do Acre (ConCultura), Manoel Coracy Saboia Dias, defendeu o diálogo contínuo entre o poder público e os agentes culturais para transformar demandas em iniciativas concretas. “Este é realmente um momento de dialogar aqui na Assembleia Legislativa, de tal forma que saiam boas ideias e ações para que a cultura esteja em um patamar mais elevado”, afirmou, ao acrescentar que a falta de estrutura não pode paralisar o trabalho de quem atua no setor.

Já o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Matheus Gomes, associou investimento cultural a ações de prevenção e redução de vulnerabilidades. “Quando se investe em cultura, também se economiza na segurança pública”, disse, ao argumentar que crianças e jovens que encontram pertencimento e oportunidades na arte, na dança, no teatro, na música, no audiovisual e nas quadrilhas juninas tendem a ficar longe da criminalidade. Ele também citou avanços recentes da política cultural no Estado e defendeu que o tema tenha mais presença institucional no Parlamento, com a criação de uma comissão de cultura na Aleac.

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